Bom, gostaria de iniciar meu relatório pelo início. Sim, por onde realmente começa o nosso dia de visita.
Tudo se inicia quando damos o primeiro passo dentro do hospital. Nós nos dirigimos até um vestiário, onde preparamos a maquiagem, figurino, e coisas do gênero. Digo, em particularidade: esse é um dos momentos mais importantes pra mim num dia de visita. É como estar em um camarim se preparando para entrar em cena... Quando a maquiagem está no rosto, o figurino veste o corpo, e o nariz vermelho nos cobre a face, deixo o Rodrigo de lado. Agora sou Dr. Colírio Dengoso – pronto para mais um dia no hospital!
Após a transformação de personagens, Dr. Colírio sobe ao primeiro andar, onde fica a pediatria. Lá coloca seus pertences em uma super-hiper-mega-master-blaster-MINI sala, e vai para outro cômodo do andar fazer a oração. Quem fez a oração nesse dia foi o Dr. Pipoca, o Levi. Agora sim começa o nosso tão esperado encontro com nossos queridos pacientes!
Após cumprimentar todas as enfermeiras (risos), eu e mais dois doutores entramos num quarto. Quem estava lá era Miguel, nosso mais novo amigo! Ele estava tomando pinga desde cedo...A mãe mesmo confirmou! (Aquele soro não parava de pingar! Pinga, pinga, pinga...). Ficamos com medo de ele estar meio bêbado...Mas não estava não!(risos). Dr. Paçoca, então, decidiu auscultar seu coração para ver se estava tudo bem. Infelizmente o coração estava ocupado e não pudemos ouvi-lo...Só escutamos “Tu, tu, tu, tu...”. Isso é ocupado, não é? Talvez estava fora do gancho...(risos). Depois disso, conversamos muito com nosso amigo, com a mãe dele, com o pai...Até fizemos mais brincadeiras...Foi bem legal. Nos despedimos. Como é de costume, no corredor nós lavamos bem as mãos antes de entrar em qualquer quarto. Foi isso que fizemos.
Depois de conhecer Miguel, fomos a mais um quarto, e em seguida para a brinquedoteca... Nem imagine o que aprontamos lá. Empilhamos todas as mesinhas e cadeiras do espaço, e formamos um “prédio”! Mas tudo terminou de uma maneira...Digamos...Bastante cômica!(risos). No meio da brincadeira, uma das bases caiu, e toda aquela estrutura foi para o chão! Foram risos por todo lado...Tanto por nós, doutores, quanto pelas crianças...
Bom...Já era hora de subir para o segundo andar, o da geriatria! Digamos que esta parte seja alegre e triste, porque ao mesmo tempo em que conseguimos fazer um velhinho sorrir, ao seu lado pode estar outro que não consegue nem mexer seus lábios. Apesar disso, acredito que só a nossa presença já é capaz de mudar em alguma coisa o ânimo do paciente, deixando ele se sentir melhor com nossas conversas e brincadeiras.
Um quarto nesse andar me marcou muito...Entrei, e um idoso na maca logo sorriu. Sua família estava ao redor, conversando. Até então, eu nunca havia visto alguém naquele estado se interagir de tal maneira conosco. Ele reagia às nossas brincadeiras. Ele conversava. Sorria. Agradecia com palavras e sem elas – era possível vê-lo além da face, da expressão marcante. Era possível senti-lo. Sentir a troca de energias. Enfim, foi um momento em que pudemos nos sentir em outro lugar, menos num hospital.
Os quartos já haviam sido todos visitados (nós nos dividimos em grupos). Começa, agora, a despedida do personagem. Eu deixo de ser Dr. Colírio, e volto a ser Rodrigo. É como no início, mas ao contrário – retiro a maquiagem, o nariz vermelho, troco de vestimentas etc. Todos saímos juntos do hospital, e mais uma visita se conclui! Mais um dia eu me sinto bem por fazer algo pelo mundo, pelas pessoas... Por colocar em prática minha idéias.
Bom, é isso pessoal!
Um beijo a todos, e fiquem bem!!!
Dr. Colírio Dengoso